Natal do Odyssey
Tive infância perfeita, com muita liberdade para brincar na rua e no meu bairro que, na periferia de Belo Horizonte, tinha muito espaço para bicicletas, carrinho de rolimã e futebol na rua de terra. Minha família sempre me deu tudo do possível, mas videogames estava muito acima do orçamento permitido. Já contei aqui no blog como tive meu primeiro contato com os games. Foi uma época muito boa ficar jogando paredão e futebol no TeleJogo, mas a sensação de receber o primeiro videogame novinho foi demais.
Quando eu tinha uns 11 anos, meu pai ganhou um bônus de Natal na empresa e comprou, de surpresa, um Odyssey para mim. Lembro até hoje de ter acordado e corrido até a árvore de Natal (não acreditava mais em Papai Noel, ok?) e abrir a embalagem retangular; sem dúvida o maior presente que eu tinha ganhado desde a bicicleta.
Não sei quanto a vocês, mas as caixas de games para mim são mágicas, principalmente vistas pela primeira vez. Os limites parecem não existir quando você lê na embalagem o que a máquina pode fazer, os lugares onde ela pretende levá-lo na imaginação, coisas de marketing desse tipo.
Depois de abrir a caixa, levei um choque. Já tinha visto um Atari certa vez na casa de um amigo, mas o Odyssey tinha um teclado e um controle diferente, não melhor. Na embalagem, três games que tenho guardados até hoje (o Odyssey eu tive de vender, infelizmente, para poder comprar meu Atari): Pac-man, corrida (não sei o nome) e um que era, na verdade, um pack com jogos para usar o teclado, tipo forca e adivinhe a palavra “emablardaha”. Simples, mas fantásticos.
Com um presente daquele, meu Transformer Saltman e meus dois Comandos em Ação (sou colecionador, tenho dezenas) da época ficaram largados, por uns bons meses.
Foi a primeira vez que percebi o poder de integração dos games. Com dois controladores independentes, que permitiam os jogadores sentarem lado a lado e disputar uma partida (neste caso, tive de arrumar outros jogos emprestados depois), reuniões de amigos lá em casa eram frequentes.
A sociabilidade criada pelos games, que vou abordar em outros posts nesse blog nos próximos dias, é o que mantém essa indústria em pé, de certa maneira. Atualmente, com as partidas solitárias nos apartamentos ganhando companhia pela internet, é fácil entender porque tantas empresas investem nos multiplayers.
Eu, particulamente, não tenho mais paciência para singles. Se o jogo não tiver uma plataforma on-line boa, sinto muito, pode ser até Metal Gear Solid X² que não dou a mínima.
Com esse novo passo de sociabilidade no Odyssey, vi que não tinha mais volta esse tal de videogame: seria parte da minha vida por muito tempo. Bom, até hoje é; ainda bem.
No próximo post, o universo sem limites de títulos do Atari.

Deixe uma resposta